O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...
Alberto Caeiro
Acho que sabe bem rir um bocadinho, nestes momentos facamos uma pausa!
Sei que seria possível construir o mundo justo
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
Sophia de Mello Breyner Andresen, O Nome das Coisas, 1977
Mercedes Sosa - Obrigado à vida (Violeta Parra)
Obrigado à vida que me tem dado tanto / deu-me dois olhos que, quando os abro
perfeitamente distingo o preto do branco /e no alto céu, o seu fundo estrelado
e nas multidões, o homem que eu amo.
Obrigado à vida que me tem dado tanto /deu-me o ouvido que, em toda a amplitude,
grava, noite e dia, grilos e canários / martelos, turbinas, latidos, chuviscos
e a voz tão terna do meu bem amado.
Obrigado à vida que me tem dado tanto / deu-me o som e o abecedário
e, com ele, as palavras com que penso e digo / mãe, amigo, irmão e luz iluminando
a rota da alma de quem estou amando.
Obrigado à vida que me tem dado tanto / deu-me a marcha dos meus pés cansados
com eles andei por cidades e charcos, / praias e desertos, montanhas e planícies
pela tua casa, tua rua e teu pátio.
Obrigado à vida que me tem dado tanto / deu-me o coração que todo se agita
quando vejo o fruto do cérebro humano, / quando vejo o bem tão longe do mal,
quando vejo no fundo do teus olhos claros.
Obrigado à vida que me tem dado tanto / deu-me o riso e deu-me o pranto
assim eu distingo a felicidade da tristeza, / os dois materiais de que é feito o meu canto
e o canto de todos, que é o meu próprio canto.
Obrigado à Vida
Gracias a la Vida
Obrigado à Vida
Gracias a la Vida
Posso pedir-lhe um favor?
Esqueça por apenas uns poucos minutos qualquer ocupação...
simplesmente escute, contemple...
...Obrigada!
Quando quiser pode voltar, a "Primavera" sempre está a nossa espera
Compañera,usted sabe
que puede contar conmigo,
no hasta dos ni hasta diez
sino contar conmigo.
Si algunas veces
advierte
que la miro a los ojos,
y una veta de amor
reconoce en los míos,
no alerte sus fusiles
ni piense que deliro;
a pesar de la veta,
o tal vez porque existe,
usted puede contar
conmigo.
Si otras veces
me encuentra
huraño sin motivo,
no piense que es flojera
igual puede contar conmigo.
Pero hagamos un trato:
yo quisiera contar con usted,
es tan lindo
saber que usted existe,
uno se siente vivo;
y cuando digo esto
quiero decir contar
aunque sea hasta dos,
aunque sea hasta cinco.
No ya para que acuda
presurosa en mi auxilio,
sino para saber
a ciencia cierta
que usted sabe que puede
contar conmigo.
(Mario Benedetti)


